"Preciso de um fluxo de aprovação" é um dos pedidos mais comuns em projetos de GED — e um dos mais mal especificados. Aprovação de uma nota fiscal de R$ 200 não tem nada a ver com aprovação de um procedimento de segurança que precisa de trilha auditável por cinco anos. Abaixo, os sete modelos disponíveis e o critério de escolha de cada um.
1. Aprovação de conteúdo nativa da biblioteca
Configuração de versionamento: o documento fica em estado Pendente até que alguém com permissão o aprove. Zero código, zero licença adicional.
Use quando: a regra é simples — um grupo aprova, o resto lê. Evite quando: você precisa de ordem entre aprovadores, prazo, lembrete ou registro de justificativa.
2. Power Automate com aprovação simples
A ação Iniciar e aguardar uma aprovação dispara ao criar ou modificar um item. O aprovador responde pelo e-mail, pelo Teams ou pelo app de aprovações, e o fluxo grava o resultado de volta na coluna do documento.
Use quando: um aprovador decide e você quer rastro, notificação e atualização automática de status. É o ponto de partida de 80% dos casos reais.
3. Aprovação paralela (todos precisam aprovar)
Vários aprovadores recebem ao mesmo tempo e todos precisam responder para o documento seguir. Típico de documentos que exigem aval simultâneo de Jurídico, Compliance e área técnica.
Ponto de atenção: sem prazo definido, o fluxo fica preso no aprovador mais lento. Combine sempre com escalonamento por tempo (item 7).
4. Aprovação paralela com primeiro respondente
O mesmo disparo para várias pessoas, mas a primeira resposta decide. Ideal para filas de plantão, em que qualquer analista habilitado pode liberar o documento e o objetivo é reduzir o tempo de espera.
5. Aprovação sequencial por etapas
Encadeia aprovações: o supervisor aprova, depois o gerente, depois a diretoria. Cada etapa só começa quando a anterior é concluída, e uma rejeição intermediária encerra o processo devolvendo o documento ao autor.
Use quando: a hierarquia importa e o aprovador seguinte precisa enxergar a decisão do anterior — típico de documentos normativos e investimentos.
6. Aprovação condicional por alçada
O fluxo lê uma coluna do próprio documento — valor, criticidade, categoria — e decide dinamicamente o caminho:
- Até R$ 5.000 → aprovação apenas do gestor imediato.
- De R$ 5.000 a R$ 50.000 → gestor e controladoria em sequência.
- Acima de R$ 50.000 → acrescenta a diretoria como etapa final.
Mantenha a tabela de alçadas em uma lista do SharePoint, e não dentro do fluxo. Quando o limite mudar — e ele muda —, a área de negócio edita uma linha em vez de abrir chamado para a TI.
7. Escalonamento automático por prazo
Não é um modelo isolado, e sim a camada que torna os anteriores confiáveis. Com Aguardar até e um laço de verificação, o fluxo cobra o aprovador em D+2, reencaminha ao substituto em D+5 e notifica o gestor do processo em D+7.
Sem escalonamento, todo fluxo de aprovação vira, cedo ou tarde, uma fila invisível de documentos parados em quem saiu de férias.
Comparativo
| Modelo | Complexidade | Melhor encaixe |
|---|---|---|
| Aprovação nativa | Muito baixa | Publicação simples de conteúdo |
| Power Automate simples | Baixa | Um aprovador, com rastreabilidade |
| Paralela (todos) | Média | Aval conjunto de várias áreas |
| Paralela (primeiro) | Média | Filas de plantão e SLA curto |
| Sequencial | Média/Alta | Hierarquia e documentos normativos |
| Condicional por alçada | Alta | Compras, contratos e investimentos |
| Escalonamento por prazo | Complementar | Qualquer fluxo com SLA |
Três erros que aparecem em quase toda auditoria
- Aprovador nomeado no fluxo. A pessoa sai da empresa e o processo quebra. Referencie um grupo ou uma coluna de responsável.
- Decisão sem justificativa. Torne o comentário obrigatório na rejeição — é o que permite entender o gargalo depois.
- Fluxo sem tratamento de erro. Configure a ação de execução em caso de falha para avisar um responsável técnico; fluxo que falha em silêncio é pior que fluxo inexistente.
A regra geral: comece pelo modelo mais simples que resolve o caso e só suba de complexidade quando houver uma exigência concreta de negócio. Cada ramificação extra é código que alguém vai precisar manter.